A União Europeia de Cegos aproveitou a quadra natalícia para lançar o seu novo sítio web:
http://www.euroblind.org/
quinta-feira, dezembro 23, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Ávila acessível
Cidade medieval ganha prêmio da UE de acessibilidade para deficientes
A cidade espanhola de Ávila é primeira a receber novo prêmio Access City Award, que reconhece melhorias de acessbilidade para deficientes. Apesar de sua arquitetura medieval, que é um desafio para alterações.
A cidade histórica espanhola de Ávila, cercada por uma grande muralha, foi reconhecida pela Comissão Europeia por ter realizado melhorias significativas no acesso e em oportunidades de emprego para pessoas portadoras de deficiências. Ávila venceu outros três finalistas, Barcelona, Colônia e Turku, e ganhou o primeiro prêmio Access City Award.
A Comissão elogiou Ávila pelo plano de longo prazo que vem implementando, desde 2002, a fim de tornar-se mais acessível e agradável a pessoas com deficiência. Ele inclui a melhoria da acessibilidade aos edifícios públicos e a criação de incentivos para a iniciativa privada, além de desenvolvimento de instalações turísticas acessíveis e de mais oportunidades de emprego. Pessoas com deficiência também estão incluídas no processo de planejamento.
Diversas categorias
De acordo com Noelia Cuenca Galán, encarregada de acessibilidade de Ávila, as melhorias na cidade incluem diferentes categorias, levando em consideração diversos tipos de deficiência, como cegueira, imobilidade e doença mental.
Segundo ela, a cidade tenta eliminar as barreiras físicas e arquitetônicas em edifícios públicos. "Apesar e mesmo justamente por causa da herança cultural e da riqueza de lugares históricos", disse Cuenca Galán à Deutsche Welle.
"Não seríamos uma cidade que representa o patrimônio cultural se este patrimônio não fosse acessível a todas as pessoas", acrescentou Galán.
Arquitetura medieval requer criatividade
A arquitetura medieval, com muitas ruas estreitas e calçamento de pedras, faz com que adaptações de acessibilidade sejam relativamente difíceis em Ávila. Noelia Cuenca Galán enfatizou a necessidade de criatividade na busca de soluções para um desafio como este, já que os lugares históricos não devem ser danificados no processo de alteração.
Uma das melhorias inclui elevadores e rampas especiais, instalados nas famosas muralhas medievais da cidade, para que os visitantes de cadeira de rodas possam chegar ao seu topo. Segundo Cuenca Galán, poder subir a muralha pela primeira vez é um momento muito emocionante para essas pessoas. "Muitas delas nunca estiveram em cima da muralha antes, apesar de terem vivido aqui toda a vida", ressaltou.
Nas decisões de melhoria, a cidade coopera com organizações locais que representam os interesses das pessoas com deficiência, como a ONCE, organização nacional espanhola de apoio a deficientes visuais.
"Sem esta cooperação, não teríamos conseguido muito", afirmou Galán. "Se não ouvirmos o que estas pessoas com deficiência têm a dizer, não podemos contribuir para melhorar a situação deles."
Consulta a deficientes é fundamental
A funcionária admite que não é Ávila, de maneira alguma, uma cidade "perfeita", mas diz que está determinada a prosseguir o projeto de desenvolvimento de acessibilidade.
O prêmio Access City Award é uma das iniciativas previstas na nova estratégia de dez anos da Comissão Europeia para uma Europa sem barreiras.
Lançado pela Comissão em julho de 2010, o concurso esteve aberto às cerca de mil cidades da União Europeia com mais de 50 mil habitantes. Os jurados analisaram 66 candidaturas provenientes de 19 dos 27 Estados membros da UE.
"As pessoas com deficiência têm os mesmos direitos que as outras, mas a acessibilidade é um pré-requisito para que elas possam gozar desses direitos", afirmou Viviane Reding, comissária europeia para Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania. Ela acrescentou que o Access City Award foi criado para "inspirar e motivar cidades que ainda têm mais progressos a fazer".
Deficiente aprova esforços
Kay Macquarrie é paraplégico e viveu em várias cidades da Alemanha, incluindo Kiel, Bonn e Colônia – uma das finalistas do prêmio. Ele aplaude os esforços para melhorar a vida das pessoas com deficiência nos países europeus.
Macquarrie acha que as condições gerais para pessoas em cadeira de rodas, como ele, poderiam ser melhoradas em muitos aspectos, especialmente quando se trata de transporte público e da localização dos banheiros em restaurantes e bares. Mas ele também reconhece que houve progresso nos últimos tempos.
"Nos anos 80 e 90, parecia que arquitetos e urbanistas nunca tinham sequer ouvido falar do conceito de acessibilidade", disse Macquarrie à Deutsche Welle. "Mas agora o assunto está atraindo muito mais atenção."
Embora os milhares de locais históricos da Europa apresentem grandes desafios à acessibilidade, Ávila é a prova de que eles são superáveis.
Autor: Eva Wutke, Johanna Wollin (md)
Revisão: Augusto Valente
quarta-feira, novembro 24, 2010
domingo, outubro 03, 2010
Primeiro dicionário de Língua Gestual tem 15 mil imagens
Pedro Pires usa todos os dedos das duas mãos em movimento para dizer que não sabe ainda se vai comprar o primeiro dicionário de Língua Gestual, apresentado ontem no Porto. O aluno da Escola EB 2/3 de Paranhos, 14 anos, é surdo e admite que pode ser uma ferramenta útil para aprender mais e melhor sobre a Língua Portuguesa onde reconhece algumas limitações mas, de resto, sobre o outro lado (dos gestos) refere que tem a lição bem aprendida desde muito pequenino. Ana Bela Baltazar, autora do primeiro dicionário de Língua Gestual Portuguesa, publicado pela Porto Editora, acredita que esta obra vai servir a comunidade surda e os ouvintes.
Pedro está na sua escola, um estabelecimento de referência no ensino bilingue. Sobre as conversas com os amigos ouvintes refere que até hoje valeram-lhe algumas "dicas" que deu sobre a Língua Gestual e muita mimíca. Mas isso não chega, avisa Ana Bela Baltazar. "Saindo dos portões da escola não vão encontrar ninguém que lhes explique seja o que for em língua gestual. E isso vai-lhes acontecer pela vida fora". Por isso, defende a autora, surdos e ouvintes precisam deste dicionário. Para comunicar, ou seja, para ficar mais perto. Ângelo Costa, presidente da Associação de Surdos do Porto, agradeceu a Ana Bela Baltazar: "É um passo importante na biblioteca das pessoas surdas. É uma obra de grande importância". Em Portugal a comunidade surda envolve cerca de 100 mil pessoas. Muitas, lembra Ana Bela Salazar, "estão isoladas e ainda são tratadas como atrasadas mentais".
O livro de capa preta com a imagem de dois dedos a caminhar na palma de uma mão é o resultado de quatro anos de trabalho da intérprete de língua gestual Ana Bela Baltazar. A obra com 1168 páginas custa 33,31 euros e inclui 5200 entradas de palavras e 15 mil imagens. Num mundo sem som onde existem conceitos e significados que podem ser ditos num gesto, pretende-se que esta obra ajude a enriquecer o vocabulário da comunidade surda que, por vezes, não reconhece algumas palavras escritas da língua portuguesa. Assim, ali se explica com imagens dos gestos e ajuda de um DVD - "a língua gestual tem movimento, perde-se parada num papel" - o significado de algumas palavras. Por outro lado, para quem queria aprender (com descrições pormenorizadas) a língua gestual portuguesa - a Constituição da República reconhece, desde 1997, que a LGP é uma língua oficial - Ana Bela Baltazar criou um guia de aprendizagem inédito no país. Até agora, explica a autora, não existia nada que pudesse ajudar alguém a aprender língua gestual sem frequentar aulas. Finalmente, Ana Bela Baltazar acredita que este dicionário pode ser um apoio importante para os alunos surdos, numa altura em que estes estão a ser encaminhados para as escolas de referência que podem ficar a quilómetros de casa e que, assim, podem afastar estas crianças das aulas.
FONTE: jornal.publico.pt
Pedro está na sua escola, um estabelecimento de referência no ensino bilingue. Sobre as conversas com os amigos ouvintes refere que até hoje valeram-lhe algumas "dicas" que deu sobre a Língua Gestual e muita mimíca. Mas isso não chega, avisa Ana Bela Baltazar. "Saindo dos portões da escola não vão encontrar ninguém que lhes explique seja o que for em língua gestual. E isso vai-lhes acontecer pela vida fora". Por isso, defende a autora, surdos e ouvintes precisam deste dicionário. Para comunicar, ou seja, para ficar mais perto. Ângelo Costa, presidente da Associação de Surdos do Porto, agradeceu a Ana Bela Baltazar: "É um passo importante na biblioteca das pessoas surdas. É uma obra de grande importância". Em Portugal a comunidade surda envolve cerca de 100 mil pessoas. Muitas, lembra Ana Bela Salazar, "estão isoladas e ainda são tratadas como atrasadas mentais".
O livro de capa preta com a imagem de dois dedos a caminhar na palma de uma mão é o resultado de quatro anos de trabalho da intérprete de língua gestual Ana Bela Baltazar. A obra com 1168 páginas custa 33,31 euros e inclui 5200 entradas de palavras e 15 mil imagens. Num mundo sem som onde existem conceitos e significados que podem ser ditos num gesto, pretende-se que esta obra ajude a enriquecer o vocabulário da comunidade surda que, por vezes, não reconhece algumas palavras escritas da língua portuguesa. Assim, ali se explica com imagens dos gestos e ajuda de um DVD - "a língua gestual tem movimento, perde-se parada num papel" - o significado de algumas palavras. Por outro lado, para quem queria aprender (com descrições pormenorizadas) a língua gestual portuguesa - a Constituição da República reconhece, desde 1997, que a LGP é uma língua oficial - Ana Bela Baltazar criou um guia de aprendizagem inédito no país. Até agora, explica a autora, não existia nada que pudesse ajudar alguém a aprender língua gestual sem frequentar aulas. Finalmente, Ana Bela Baltazar acredita que este dicionário pode ser um apoio importante para os alunos surdos, numa altura em que estes estão a ser encaminhados para as escolas de referência que podem ficar a quilómetros de casa e que, assim, podem afastar estas crianças das aulas.
FONTE: jornal.publico.pt
segunda-feira, julho 26, 2010
Em Portugal já há quem controle o PC com o pensamento
Visitámos a Anditec, e descobrimos a tecnologia Brainfingers, que permite controlar um computador apenas e só através de sinais obtidos junto do cérebro humano.
segunda-feira, maio 03, 2010
daltónicos ver o mundo com as cores certas
Não existe tratamento médico para o daltonismo. Mas o projecto de um designer, Miguel Neiva, pode ajudar os daltónicos a distinguirem as cores em coisas tão básicas como a roupa, o material escolar, ou as linhas do metro. Como é ver o mundo pelos olhos deles?
Parecia uma pergunta de algibeira. Daquelas que têm como único objectivo que nos programas de televisão os concorrentes não percam logo nas primeiras questões e que os telespectadores se entusiasmem ao darem uma resposta acertada. O apresentador pretendia saber de que cor são as ervilhas.
Jorge Sousa estava em casa, sentado no sofá, a ver o programa e sorriu perante a facilidade da pergunta. Ainda por cima dava direito a 50 euros. Assim. Sem esforço. Mesmo antes de apresentadas as quatro possibilidades — “amarelas, verdes, azuis, laranjas” —, não hesitou e respondeu para si mesmo: “Obviamente que são laranjas e bem brilhantes.” O concorrente, por outro lado, disse prontamente que eram verdes e o apresentador deu-lhe razão.
Jorge ficou espantado, mas não tanto como seria de esperar. Tem 37 anos e desde criança que sabe que é daltónico, um problema genético que faz com que as cores sejam a coisa mais traiçoeira que tem de enfrentar.
Foi ainda durante o ensino primário que um rastreio aos olhos feito na escola veio dar um nome às constantes distracções que o faziam pintar os troncos das árvores de verde e as folhas de castanho ou de avermelhado. Jorge, afinal, não era preguiçoso nem distraído. Não era por má vontade, por birra ou sequer por mau gosto que dava uma nova cor a tudo o que pintava. Ou que por vezes calçava duas meias de pares diferentes. As causas desta anomalia na percepção cromática, que tem origem nos cones que estão nos olhos, são sempre genéticas e no caso das tonalidades verdes e vermelhas estão relacionadas com o cromossoma X. Jorge, como todos os homens, tem um cromossoma X (que herdou da mãe) e um cromossoma Y (que herdou do pai). O seu avô materno já era daltónico pelo que o cromossoma responsável por esta alteração nos cones dos olhos lhe foi transmitido pela mãe.
No caso das mulheres, como contam com dois cromossomas X, mesmo que a mãe transmita o cromossoma responsável por este tipo de daltonismo (dicromacia), regra geral, conseguem compensar com o outro “saudável”. O que faz com que este seja um problema muito mais comum nos homens do que nas mulheres. Na população masculina, a taxa de daltonismo é de dez por cento, enquanto nas mulheres não chega aos dois por cento. A família de Jorge confirma a regra: também para o seu irmão e vários primos as ervilhas são cor de laranja. E, nos semáforos, são salvos pelo facto de o vermelho ser sempre o de cima e o verde o de baixo. Contudo, o daltonismo relacionado, por exemplo, com os cones azuis e amarelos (tricromacia) depende do cromossoma 7, que não está relacionado com o sexo, pelo que já não se registam estas diferenças entre homens e mulheres. Há ainda um terceiro tipo de alteração que faz com que o mundo seja visto a preto e branco (monocromacia), mas cuja incidência é ínfima.
Em qualquer dos casos, a solução pode estar para breve. E, para já, não é de cura que se está a falar.
Código de cores
O “ovo de Colombo”, como já lhe chamam muitos daltónicos, nasceu na cabeça do designer Miguel Neiva. Miguel não é daltónico e apenas se lembra de ter tido um colega com este problema na primária, pelo que toda a sua investigação na área foi desencadeada por pura curiosidade. Apesar disso, de tanto pesquisar e ler sobre o tema, já troca praticamente todas as cores, isto é, para cada objecto para onde olha consegue perceber as dificuldades de quem o percepciona de forma diferente. Já pensou nas cores das bandeiras da praia? Em 2008 defendeu na Universidade do Minho a sua tese de mestrado e, desde aí, tem vindo a tratar das burocracias necessárias para proteger os direitos de autor e para implementar o ColorAdd — um código gráfico que criou de raiz e que, através de símbolos geométricos, pretende ajudar os daltónicos a distinguirem as cores em coisas tão básicas e recorrentes como as peças de roupa, o material escolar ou as linhas do metropolitano.
“O que mais me espantou em relação aos daltónicos é que não há nada. Não há uma associação que os represente, não há dados oficiais sobre o problema, porque é uma limitação que não é visível e porque os daltónicos também não gostam muito de falar sobre o assunto”, explica à Pública.
A falta de informação tornou-se um desafio para Miguel Neiva que, depois de conversar e de submeter vários daltónicos a um inquérito, decidiu que o seu mestrado em Design e Marketing seria direccionado para os portadores desta alteração e que teria como objectivo torná-los mais independentes. De acordo com o inquérito que fez junto de uma amostra de quase 150 daltónicos, cerca de 37 por cento não sabem o seu tipo de daltonismo, 42 por cento sentem dificuldade de integração social, 73 por cento já sentiram algum tipo de embaraço e 88 por cento consideram a escolha e utilização do vestuário um problema.
“É uma deficiência que não é visível aos olhos dos outros e que por isso mesmo traz constrangimentos e dificuldades acrescidas em termos de integração. Se vemos alguém com calças roxas, camisola amarela, óculos de sol e bengala percebemos logo que é cego. Mas se a bengala e os óculos não estiverem lá, a primeira coisa que nos ocorre é dizer que a pessoa tem mau gosto. Nunca pensamos que pode ter uma percepção errada das cores”, diz o designer.
O código que idealizou está preparado para ser ensinado tanto a crianças como a idosos, estes últimos afectados por patologias que dão problemas semelhantes. “O código tem como base a conjugação das três cores principais (vermelho, verde e azul) com as secundárias numa lógica muito parecida com a da roda das cores. Cada forma geométrica simboliza uma cor primária.”
O azul, por exemplo, é um triângulo com um vértice virado para cima, o vermelho um triângulo com um vértice virado para baixo e o amarelo é uma barra diagonal. Assim, “na etiqueta de uma camisola verde, tendo em conta que esta cor é composta por azul e amarelo, deveria aparecer um triângulo com um vértice para cima e uma barra diagonal”. Para ajudar a distinguir uma tonalidade de verde-escuro de uma tonalidade de verde-claro, a ideia de Miguel é que se coloque ao lado da cor o símbolo do branco ou do preto, que são representados por um quadrado apenas com o contorno ou todo cheio a preto, respectivamente. Uma ideia que poderia ter sido muito útil a Albert Uderzo, um dos pais da banda desenhada Astérix, que por ser daltónico se viu obrigado a contratar um colorista depois de ter pintado de vermelho a primeira relva gaulesa.
A cor dos táxis
A parceria para a primeira aplicação prática do código acaba de chegar. As tintas CIN estão interessadas em incluir o código junto às cores que têm disponíveis e estão a trabalhar para que o próximo catálogo já esteja adaptado para esta solução. “É um casamento que vem numa óptima altura e que está totalmente de acordo com a nossa estratégia de disponibilizar serviços de cor aos clientes que os ajudem no momento da escolha porque a maioria das pessoas tem dificuldade em projectar a cor num espaço final”, explica Reinaldo Campos, director de marketing, estratégia & business development da CIN. E acrescenta: “Somos pela cor, em qualquer variante, razão pela qual aceitámos o desafio do Miguel Neiva de aderirmos a este novo código de interpretação de cores.”
Miguel quer avançar com prudência para não desvirtuar o código, mas não nega que gostava de o ver espalhado um pouco por todo o lado e em todo o mundo. Roupa, brinquedos, lápis de cor e canetas de feltro, linhas do metropolitano, pulseiras coloridas que assinalam a triagem de Manchester nos hospitais, linhas pintadas no chão que ajudam através da cor a seguir o caminho até uma determinada unidade ou serviço e parques de estacionamento são algumas possibilidades. “Até já me chegou da Rússia uma proposta de incluir os símbolos nos maços de tabaco”, conta.
A ideia do designer foi também considerada pela revista brasileira Galileu uma das 40 ideias para melhorar o mundo. “No metro de Lisboa todos os dias circulam 500 mil pessoas. Se partirmos do princípio que metade delas são homens e que dez por cento destes são daltónicos então, neste caso, estaremos a facilitar, todos os dias, a vida a 20 mil pessoas. E é dos primeiros projectos de inclusão que não traz uma legislação à frente.”
Ideias que não podiam agradar mais a Jorge Sousa, apesar de este engenheiro electromecânico encarar com muito boa disposição as experiências caricatas que o seu daltonismo lhe proporciona e de já se ter habituado a pedir ajuda nas mais diversas situações. Mesmo assim, não se escapou a um ou outro episódio que podia não ter acabado da melhor forma. Ainda hoje não sabe se um jipe que teve durante quatro anos era grená ou verde — o que fez com que uma vez num parque de estacionamento estivesse durante uns bons minutos a abrir o carro errado até ser alertado pelo dono para o facto. “Claro que quando o senhor percebeu que a cor do meu carro não tinha nada a ver ficou desconfiado, mesmo depois de eu ter explicado que sou daltónico. Agora estou mais atento às matrículas”, diz.
Foi também muito tarde que descobriu que os táxis são pretos e verdes e não pretos e brancos. Ultrapassado este obstáculo há um outro para o qual ainda não encontrou solução: não consegue distinguir pela luz se os táxis estão ou não ocupados, pelo que manda parar todos os que passam. E como faz quanto a clubes de futebol? “Sou do FC do Porto. O azul é das poucas cores que distingo melhor.”
Uma vez engraxou os sapatos castanhos antes de sair de casa para ter a melhor apresentação possível. Valeu-lhe o facto de se ter cruzado com a sua mulher que questionou se havia alguma razão para ter usado graxa vermelha. Hoje já praticamente desistiu de responder à pergunta “de que cor é isto?” Decidiu abrir uma excepção com a Pública para responder durante a entrevista que tínhamos uma camisola castanha. Na verdade, a roupa era verde-garrafa. Sobre a forma como estava vestido, respondeu de forma segura: “A minha mulher disse-me que é um fato castanho com uma pequena risca azul e uma camisa do mesmo azul com uma risca branca.”
Uma carreira abandonada
Desde cedo que Jorge desistiu de fazer compras e é à sua mulher que cabe a tarefa de o vestir a ele e aos três filhos. Em vez de estar organizada por tipo de peças, a sua roupa está arrumada conforme aquilo que combina. “Mas sou tão distraído que, se alguém trocar as coisas, visto na mesma. Não tenho memória para a cor. O daltónico é como um analfabeto das cores. Olho para elas e se estiver com atenção percebo que são diferentes mas não lhes consigo dar um nome, daí que até já tenha assinado documentos importantes com canetas vermelhas ou preenchido cheques a verde. Sou muito mais atento às texturas dos tecidos.”
Quem tem uma visão normal consegue distinguir cerca de 30 mil tonalidades diferentes, ao passo que pessoas com problemas deste género não vão além das 800, sendo que desde pequenos somos treinados para associar as cores aos objectos.
Este engenheiro adaptou-se a todas estas rotinas, mas o facto de ser daltónico mudou-lhe os planos de carreira: tentou entrar para a Força Aérea e o seu sonho era ser piloto, mas as cores trocaram-lhe as voltas. É uma das poucas profissões em que esta deficiência é um impeditivo e é precisamente na inspecção militar que as pessoas com daltonismos mais ligeiros acabam por descobrir o problema.
Mas também houve uma ocasião em que beneficiou com o problema. “Numa entrevista de emprego pediram-me para ordenar um conjunto de cores, da que gosto mais para a que gosto menos. Como, para mim, tanto faz, ordenei da que me parecia mais clara para a mais escura. A entrevista continuou a decorrer e mais tarde pediram-me para organizar de novo as cores. Fiz exactamente a mesma coisa e o senhor diz que ficou muito espantado com a minha coerência.”
Uma das formas mais comuns de detectar o daltonismo é submeter a pessoa ao teste de cores de Ishihara que recebeu este nome graças a Shinobu Ishihara, um professor da Universidade de Tóquio que em 1917 criou uma série de cartões de cores cujo fundo é composto por bolinhas de uma determinada cor. No centro é desenhado, também com bolinhas, um número que tem uma cor semelhante e que para os daltónicos é muito difícil de percepcionar. No entanto, ser daltónico já chegou a ser visto como um factor positivo e na II Guerra Mundial as pessoas com este problema genético eram escolhidas para as incursões nocturnas e para os raides aéreos por serem muito sensíveis aos contrastes e detectarem com mais facilidade os camuflados do inimigo, em especial de noite.
O diagnóstico adiado é mais uma prova de que foi bastante tarde que a sociedade despertou para o daltonismo, que deve o seu nome ao químico e matemático inglês John Dalton, que em 1793-94 publicou um documento intitulado Factos extraordinários relacionados com a visão das cores. Tanto Dalton como o seu irmão tinham um problema nos cones vermelhos e verdes e o investigador estava convencido de que a alteração responsável pela diferente percepção das cores estaria num líquido do seu olho. Conta-se que Dalton adorava cerejas mas que era incapaz de as identificar nas árvores por as misturar com as folhas. Um dos últimos desejos de Dalton foi que os seus olhos fossem autopsiados para poder confirmar a sua teoria, o que não veio a acontecer.
O fascínio do arco-íris
Florindo Esperancinha, presidente do colégio da especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, reconhece que o facto de não haver tratamento absolutamente nenhum para os daltónicos faz com que os próprios médicos, por vezes, coloquem a doença mais de lado. “O daltonismo entra um pouco no esquecimento. As alterações mais ligeiras são difíceis de detectar e em qualquer dos casos, como oftalmologistas, o máximo que podemos fazer é aconselhar os pacientes a assumirem o problema e a não entrarem em discussões estéreis sobre a cor. O nosso principal papel está em ajudar as pessoas a lidar e a antecipar os constrangimentos que possam advir desta alteração”, justifica.
Gonçalo Reis tem 21 anos e é finalista da licenciatura em Comunicação Social do Instituto Politécnico de Tomar. No seu caso, o diagnóstico foi precoce. O seu pai também é daltónico e a mãe, enquanto enfermeira, sempre ficou muito atenta à forma como o filho percepcionava as cores, e na altura da entrada da escola levou-o a um especialista que confirmou a alteração dos seus cones. “Como a professora sabia, não senti grandes problemas, mas acredito que, para os miúdos que não sabem o que têm, isto possa servir como mais um elemento de gozo”, explica. Apesar da descontracção com que lidava com o problema, a mãe de Gonçalo criou algumas estratégias para facilitar a vida ao filho. “Nos lápis de cor a minha mãe colocou-me umas etiquetas que diziam as cores e eu optava por ter sempre conjuntos pequenos.” E no exame nacional de História que realizou no 12.º ano precisou que fosse feita uma versão especial para si, pois as cores com que o mapa estava pintado eram todas demasiado semelhantes para as poder entender.
Mas na altura de ir às compras Gonçalo continua a contar com o apoio dos amigos, até porque a sua principal dificuldade está nos espectros dos azuis. “Azul, roxo, lilás… para mim é tudo igual.” Optou, como muitas das pessoas com o seu problema, por escolher tendencialmente cores neutras e nunca fugir muito da mesma paleta de cores no vestuário. “Não gosto de andar colorido e, em caso de dúvida, pergunto. É melhor perguntar do que fazer asneira, certo?” Quanto ao futuro, para já não desiste do sonho de trabalhar na área da fotografia, mesmo com as maiores dificuldades que tem no balanceamento de brancos, o que faz com que algumas das suas imagens fiquem azuladas. “Os colegas e a tecnologia estão cá para nos ajudar a corrigir estas coisas”, insiste, sempre com um sentido muito pragmático.
As mulheres daltónicas são poucas e talvez por isso Helena Guimarães, 49 anos, ainda hoje não fale muito sobre o assunto. “O mais cedo que me lembro de ter percebido que era daltónica foi na adolescência e isso nunca foi propriamente um tema de conversa lá em casa. Lembro-me de vestir umas calças laranjas com umas meias que julgava combinar e que afinal eram amarelas e, por isso, passei a usar tons muito neutros. Evito acessórios como brincos, colares ou lenços. O meu marido oferece-me coisas para eu variar mas sinto-me muito pouco confortável a arriscar.”
Helena é directora de marketing numa empresa e as apresentações feitas em computador e os gráficos são os seus maiores inimigos, pelo que se habituou a delegar este tipo de tarefas, mesmo não gostando, algumas vezes, das cores que os seus colaboradores escolhem. Habituou-se a não discutir cores, mas admite que por vezes não gosta do que vê numa folha ou da conjugação de roupa que alguém escolhe e não sabe se os seus olhos têm razão ou se são os genes trocados a funcionar.
“Não vejo o daltonismo como um problema e nunca senti que fosse uma grande limitação. É como ser canhota. Mas claro que gostava de ver as cores todas. Nunca percebi o fascínio das pessoas com o arco-íris e só há pouco tempo descobri que só consigo distinguir duas cores. Aí fiquei triste, por perder algo que dizem ser tão bonito. Mas, ao menos, o mar para mim é sempre azul, um azul muito forte.”
Contudo, Helena reconhece que é difícil explicar aos outros que não é por preguiça que não consegue dizer as cores e admite que depender de alguém para ter a certeza da roupa que põe numa mala pode ser limitador. “Talvez por isso odeie comprar coisas para mim e nunca embarque em grandes aventuras. Jogo muito pelo seguro.”
Pedro Pires é engenheiro electrotécnico e tem 42 anos, mas até aos 15 ou 16 pensou que não sabia as cores e que algo tinha falhado nesta aprendizagem de criança. “Quando fiz os testes para a tropa, confirmaram-me que sou daltónico, mas fiquei apto na mesma e até me disseram que era bom para ir para os pára-quedistas por ser sensível aos contrastes das cores.” Na faculdade, a principal dificuldade que sentiu foi nas aulas sobre resistências, onde cortar um fio baseado na cor podia ser um risco. É por este motivo que em profissões como electricista o daltonismo pode ser um impeditivo. Pedro baralha essencialmente verdes, castanhos e avermelhados, mas foi com o preto que teve a maior surpresa: numa loja tinha uns atacadores pretos na mão e insistiu se não vendiam nenhuns mais escuros.
Caminho para a cura?
Todos estes daltónicos gostariam de ver os seus cones repostos — se não houvesse riscos. Contudo, as experiências bem sucedidas no sentido da cura são todas em animais e há muito poucas a destacar. Até porque é um problema que não evolui e que além do incómodo social não provoca qualquer dor ou desconforto ao seu portador, pelo que é visto como pouco interessante. Ainda assim, em 2008 os cientistas Jeremy Nathans e King-Wai Yau foram agraciados com o Prémio Champalimaud de Visão, no valor de um milhão de euros, por terem ajudado a desvendar a forma como a visão transforma as cores numa linguagem que o cérebro consegue perceber.
Investigador da prestigiada universidade norte-americana de Johns Hopkins, Nathans dedicou-se a perceber a forma como a luz é absorvida pela retina e o seu colega Yau tentou entender como é que esta energia luminosa era convertida em electricidade para chegar ao cérebro. A principal investigação de Nathans já tem 20 anos e consistiu precisamente na identificação dos genes que codificam os três pigmentos existentes na retina e que absorvem as cores vermelho, verde e azul. Estes pigmentos correspondem aos três tipos de foto-receptores em forma de cones que existem na retina humana e que são responsáveis pela visão das cores. Ao lado dos cones existem outros foto-receptores, os bastonetes, que são em muito maior número e que ajudam a distinguir apenas níveis de luz mas não cores. Os cientistas conseguiram isolar estas moléculas e, posteriormente, os genes que as codificam, para finalmente poderem afirmar que estes genes, quando alterados, influenciam a percepção da cor.
Agora, Nathans tem tentado perceber como é que esta visão tricromática dos humanos terá evoluído a partir de organismos mais simples como os dos mamíferos inferiores. É que animais como cães, gatos e ratos têm uma visão semelhante à dos daltónicos, já que têm apenas dois sensores de cor e não três. O investigador conseguiu injectar no rato um terceiro tipo de cone e este passou a ver como um humano com uma percepção normal da cor. Para Nathans, o que é surpreendente é que isto não implicou qualquer intervenção no cérebro, o que, além de tornar o procedimento mais simples, mostra que estão no bom caminho para encontrar uma cura para o daltonismo.
Mais recentemente foi a vez de a experiência ser realizada em macacos, que partilham o mesmo tipo de visão que uma pessoa sem problemas. No final do ano passado, um grupo de investigadores da Universidade de Washington e da Universidade da Florida, ambas nos Estados Unidos, anunciou que utilizou com sucesso uma terapia genética que foi capaz de curar dois macacos daltónicos. O estudo, conduzido por Jay Neitz e agora publicado na revista Nature, demonstra que os macacos — que nasceram sem distinguir o verde e o vermelho —, depois de lhes terem sido injectados genes com o código de ADN necessário para distinguir as cores, passaram a ser capazes de identificar desenhos vermelhos que apareciam em fundos verdes. Esta terapia resultou de um intenso trabalho de dez anos em que os dois macacos, Dalton e Sam, foram ensinados e treinados para poderem dizer que cores estavam a ver a cada momento.
Enquanto o ColorAdd não é aplicado, resta a Jorge, Gonçalo, Helena e Pedro o sentido de humor e muita imaginação. Há já também algumas máquinas para cegos que quando colocadas junto a um objecto dizem a sua cor e aplicações para telemóveis com câmara fotográfica que permitem fotografar um objecto e apontar para a zona em que se está com dúvidas sobre a cor. O problema é que estas tecnologias, às vezes, também parecem ter problemas de percepção e um preto e um castanho ou um vermelho e um laranja-escuro podem ser muito parecidos.
Parecia uma pergunta de algibeira. Daquelas que têm como único objectivo que nos programas de televisão os concorrentes não percam logo nas primeiras questões e que os telespectadores se entusiasmem ao darem uma resposta acertada. O apresentador pretendia saber de que cor são as ervilhas.
Jorge Sousa estava em casa, sentado no sofá, a ver o programa e sorriu perante a facilidade da pergunta. Ainda por cima dava direito a 50 euros. Assim. Sem esforço. Mesmo antes de apresentadas as quatro possibilidades — “amarelas, verdes, azuis, laranjas” —, não hesitou e respondeu para si mesmo: “Obviamente que são laranjas e bem brilhantes.” O concorrente, por outro lado, disse prontamente que eram verdes e o apresentador deu-lhe razão.
Jorge ficou espantado, mas não tanto como seria de esperar. Tem 37 anos e desde criança que sabe que é daltónico, um problema genético que faz com que as cores sejam a coisa mais traiçoeira que tem de enfrentar.
Foi ainda durante o ensino primário que um rastreio aos olhos feito na escola veio dar um nome às constantes distracções que o faziam pintar os troncos das árvores de verde e as folhas de castanho ou de avermelhado. Jorge, afinal, não era preguiçoso nem distraído. Não era por má vontade, por birra ou sequer por mau gosto que dava uma nova cor a tudo o que pintava. Ou que por vezes calçava duas meias de pares diferentes. As causas desta anomalia na percepção cromática, que tem origem nos cones que estão nos olhos, são sempre genéticas e no caso das tonalidades verdes e vermelhas estão relacionadas com o cromossoma X. Jorge, como todos os homens, tem um cromossoma X (que herdou da mãe) e um cromossoma Y (que herdou do pai). O seu avô materno já era daltónico pelo que o cromossoma responsável por esta alteração nos cones dos olhos lhe foi transmitido pela mãe.
No caso das mulheres, como contam com dois cromossomas X, mesmo que a mãe transmita o cromossoma responsável por este tipo de daltonismo (dicromacia), regra geral, conseguem compensar com o outro “saudável”. O que faz com que este seja um problema muito mais comum nos homens do que nas mulheres. Na população masculina, a taxa de daltonismo é de dez por cento, enquanto nas mulheres não chega aos dois por cento. A família de Jorge confirma a regra: também para o seu irmão e vários primos as ervilhas são cor de laranja. E, nos semáforos, são salvos pelo facto de o vermelho ser sempre o de cima e o verde o de baixo. Contudo, o daltonismo relacionado, por exemplo, com os cones azuis e amarelos (tricromacia) depende do cromossoma 7, que não está relacionado com o sexo, pelo que já não se registam estas diferenças entre homens e mulheres. Há ainda um terceiro tipo de alteração que faz com que o mundo seja visto a preto e branco (monocromacia), mas cuja incidência é ínfima.
Em qualquer dos casos, a solução pode estar para breve. E, para já, não é de cura que se está a falar.
Código de cores
O “ovo de Colombo”, como já lhe chamam muitos daltónicos, nasceu na cabeça do designer Miguel Neiva. Miguel não é daltónico e apenas se lembra de ter tido um colega com este problema na primária, pelo que toda a sua investigação na área foi desencadeada por pura curiosidade. Apesar disso, de tanto pesquisar e ler sobre o tema, já troca praticamente todas as cores, isto é, para cada objecto para onde olha consegue perceber as dificuldades de quem o percepciona de forma diferente. Já pensou nas cores das bandeiras da praia? Em 2008 defendeu na Universidade do Minho a sua tese de mestrado e, desde aí, tem vindo a tratar das burocracias necessárias para proteger os direitos de autor e para implementar o ColorAdd — um código gráfico que criou de raiz e que, através de símbolos geométricos, pretende ajudar os daltónicos a distinguirem as cores em coisas tão básicas e recorrentes como as peças de roupa, o material escolar ou as linhas do metropolitano.
“O que mais me espantou em relação aos daltónicos é que não há nada. Não há uma associação que os represente, não há dados oficiais sobre o problema, porque é uma limitação que não é visível e porque os daltónicos também não gostam muito de falar sobre o assunto”, explica à Pública.
A falta de informação tornou-se um desafio para Miguel Neiva que, depois de conversar e de submeter vários daltónicos a um inquérito, decidiu que o seu mestrado em Design e Marketing seria direccionado para os portadores desta alteração e que teria como objectivo torná-los mais independentes. De acordo com o inquérito que fez junto de uma amostra de quase 150 daltónicos, cerca de 37 por cento não sabem o seu tipo de daltonismo, 42 por cento sentem dificuldade de integração social, 73 por cento já sentiram algum tipo de embaraço e 88 por cento consideram a escolha e utilização do vestuário um problema.
“É uma deficiência que não é visível aos olhos dos outros e que por isso mesmo traz constrangimentos e dificuldades acrescidas em termos de integração. Se vemos alguém com calças roxas, camisola amarela, óculos de sol e bengala percebemos logo que é cego. Mas se a bengala e os óculos não estiverem lá, a primeira coisa que nos ocorre é dizer que a pessoa tem mau gosto. Nunca pensamos que pode ter uma percepção errada das cores”, diz o designer.
O código que idealizou está preparado para ser ensinado tanto a crianças como a idosos, estes últimos afectados por patologias que dão problemas semelhantes. “O código tem como base a conjugação das três cores principais (vermelho, verde e azul) com as secundárias numa lógica muito parecida com a da roda das cores. Cada forma geométrica simboliza uma cor primária.”
O azul, por exemplo, é um triângulo com um vértice virado para cima, o vermelho um triângulo com um vértice virado para baixo e o amarelo é uma barra diagonal. Assim, “na etiqueta de uma camisola verde, tendo em conta que esta cor é composta por azul e amarelo, deveria aparecer um triângulo com um vértice para cima e uma barra diagonal”. Para ajudar a distinguir uma tonalidade de verde-escuro de uma tonalidade de verde-claro, a ideia de Miguel é que se coloque ao lado da cor o símbolo do branco ou do preto, que são representados por um quadrado apenas com o contorno ou todo cheio a preto, respectivamente. Uma ideia que poderia ter sido muito útil a Albert Uderzo, um dos pais da banda desenhada Astérix, que por ser daltónico se viu obrigado a contratar um colorista depois de ter pintado de vermelho a primeira relva gaulesa.
A cor dos táxis
A parceria para a primeira aplicação prática do código acaba de chegar. As tintas CIN estão interessadas em incluir o código junto às cores que têm disponíveis e estão a trabalhar para que o próximo catálogo já esteja adaptado para esta solução. “É um casamento que vem numa óptima altura e que está totalmente de acordo com a nossa estratégia de disponibilizar serviços de cor aos clientes que os ajudem no momento da escolha porque a maioria das pessoas tem dificuldade em projectar a cor num espaço final”, explica Reinaldo Campos, director de marketing, estratégia & business development da CIN. E acrescenta: “Somos pela cor, em qualquer variante, razão pela qual aceitámos o desafio do Miguel Neiva de aderirmos a este novo código de interpretação de cores.”
Miguel quer avançar com prudência para não desvirtuar o código, mas não nega que gostava de o ver espalhado um pouco por todo o lado e em todo o mundo. Roupa, brinquedos, lápis de cor e canetas de feltro, linhas do metropolitano, pulseiras coloridas que assinalam a triagem de Manchester nos hospitais, linhas pintadas no chão que ajudam através da cor a seguir o caminho até uma determinada unidade ou serviço e parques de estacionamento são algumas possibilidades. “Até já me chegou da Rússia uma proposta de incluir os símbolos nos maços de tabaco”, conta.
A ideia do designer foi também considerada pela revista brasileira Galileu uma das 40 ideias para melhorar o mundo. “No metro de Lisboa todos os dias circulam 500 mil pessoas. Se partirmos do princípio que metade delas são homens e que dez por cento destes são daltónicos então, neste caso, estaremos a facilitar, todos os dias, a vida a 20 mil pessoas. E é dos primeiros projectos de inclusão que não traz uma legislação à frente.”
Ideias que não podiam agradar mais a Jorge Sousa, apesar de este engenheiro electromecânico encarar com muito boa disposição as experiências caricatas que o seu daltonismo lhe proporciona e de já se ter habituado a pedir ajuda nas mais diversas situações. Mesmo assim, não se escapou a um ou outro episódio que podia não ter acabado da melhor forma. Ainda hoje não sabe se um jipe que teve durante quatro anos era grená ou verde — o que fez com que uma vez num parque de estacionamento estivesse durante uns bons minutos a abrir o carro errado até ser alertado pelo dono para o facto. “Claro que quando o senhor percebeu que a cor do meu carro não tinha nada a ver ficou desconfiado, mesmo depois de eu ter explicado que sou daltónico. Agora estou mais atento às matrículas”, diz.
Foi também muito tarde que descobriu que os táxis são pretos e verdes e não pretos e brancos. Ultrapassado este obstáculo há um outro para o qual ainda não encontrou solução: não consegue distinguir pela luz se os táxis estão ou não ocupados, pelo que manda parar todos os que passam. E como faz quanto a clubes de futebol? “Sou do FC do Porto. O azul é das poucas cores que distingo melhor.”
Uma vez engraxou os sapatos castanhos antes de sair de casa para ter a melhor apresentação possível. Valeu-lhe o facto de se ter cruzado com a sua mulher que questionou se havia alguma razão para ter usado graxa vermelha. Hoje já praticamente desistiu de responder à pergunta “de que cor é isto?” Decidiu abrir uma excepção com a Pública para responder durante a entrevista que tínhamos uma camisola castanha. Na verdade, a roupa era verde-garrafa. Sobre a forma como estava vestido, respondeu de forma segura: “A minha mulher disse-me que é um fato castanho com uma pequena risca azul e uma camisa do mesmo azul com uma risca branca.”
Uma carreira abandonada
Desde cedo que Jorge desistiu de fazer compras e é à sua mulher que cabe a tarefa de o vestir a ele e aos três filhos. Em vez de estar organizada por tipo de peças, a sua roupa está arrumada conforme aquilo que combina. “Mas sou tão distraído que, se alguém trocar as coisas, visto na mesma. Não tenho memória para a cor. O daltónico é como um analfabeto das cores. Olho para elas e se estiver com atenção percebo que são diferentes mas não lhes consigo dar um nome, daí que até já tenha assinado documentos importantes com canetas vermelhas ou preenchido cheques a verde. Sou muito mais atento às texturas dos tecidos.”
Quem tem uma visão normal consegue distinguir cerca de 30 mil tonalidades diferentes, ao passo que pessoas com problemas deste género não vão além das 800, sendo que desde pequenos somos treinados para associar as cores aos objectos.
Este engenheiro adaptou-se a todas estas rotinas, mas o facto de ser daltónico mudou-lhe os planos de carreira: tentou entrar para a Força Aérea e o seu sonho era ser piloto, mas as cores trocaram-lhe as voltas. É uma das poucas profissões em que esta deficiência é um impeditivo e é precisamente na inspecção militar que as pessoas com daltonismos mais ligeiros acabam por descobrir o problema.
Mas também houve uma ocasião em que beneficiou com o problema. “Numa entrevista de emprego pediram-me para ordenar um conjunto de cores, da que gosto mais para a que gosto menos. Como, para mim, tanto faz, ordenei da que me parecia mais clara para a mais escura. A entrevista continuou a decorrer e mais tarde pediram-me para organizar de novo as cores. Fiz exactamente a mesma coisa e o senhor diz que ficou muito espantado com a minha coerência.”
Uma das formas mais comuns de detectar o daltonismo é submeter a pessoa ao teste de cores de Ishihara que recebeu este nome graças a Shinobu Ishihara, um professor da Universidade de Tóquio que em 1917 criou uma série de cartões de cores cujo fundo é composto por bolinhas de uma determinada cor. No centro é desenhado, também com bolinhas, um número que tem uma cor semelhante e que para os daltónicos é muito difícil de percepcionar. No entanto, ser daltónico já chegou a ser visto como um factor positivo e na II Guerra Mundial as pessoas com este problema genético eram escolhidas para as incursões nocturnas e para os raides aéreos por serem muito sensíveis aos contrastes e detectarem com mais facilidade os camuflados do inimigo, em especial de noite.
O diagnóstico adiado é mais uma prova de que foi bastante tarde que a sociedade despertou para o daltonismo, que deve o seu nome ao químico e matemático inglês John Dalton, que em 1793-94 publicou um documento intitulado Factos extraordinários relacionados com a visão das cores. Tanto Dalton como o seu irmão tinham um problema nos cones vermelhos e verdes e o investigador estava convencido de que a alteração responsável pela diferente percepção das cores estaria num líquido do seu olho. Conta-se que Dalton adorava cerejas mas que era incapaz de as identificar nas árvores por as misturar com as folhas. Um dos últimos desejos de Dalton foi que os seus olhos fossem autopsiados para poder confirmar a sua teoria, o que não veio a acontecer.
O fascínio do arco-íris
Florindo Esperancinha, presidente do colégio da especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, reconhece que o facto de não haver tratamento absolutamente nenhum para os daltónicos faz com que os próprios médicos, por vezes, coloquem a doença mais de lado. “O daltonismo entra um pouco no esquecimento. As alterações mais ligeiras são difíceis de detectar e em qualquer dos casos, como oftalmologistas, o máximo que podemos fazer é aconselhar os pacientes a assumirem o problema e a não entrarem em discussões estéreis sobre a cor. O nosso principal papel está em ajudar as pessoas a lidar e a antecipar os constrangimentos que possam advir desta alteração”, justifica.
Gonçalo Reis tem 21 anos e é finalista da licenciatura em Comunicação Social do Instituto Politécnico de Tomar. No seu caso, o diagnóstico foi precoce. O seu pai também é daltónico e a mãe, enquanto enfermeira, sempre ficou muito atenta à forma como o filho percepcionava as cores, e na altura da entrada da escola levou-o a um especialista que confirmou a alteração dos seus cones. “Como a professora sabia, não senti grandes problemas, mas acredito que, para os miúdos que não sabem o que têm, isto possa servir como mais um elemento de gozo”, explica. Apesar da descontracção com que lidava com o problema, a mãe de Gonçalo criou algumas estratégias para facilitar a vida ao filho. “Nos lápis de cor a minha mãe colocou-me umas etiquetas que diziam as cores e eu optava por ter sempre conjuntos pequenos.” E no exame nacional de História que realizou no 12.º ano precisou que fosse feita uma versão especial para si, pois as cores com que o mapa estava pintado eram todas demasiado semelhantes para as poder entender.
Mas na altura de ir às compras Gonçalo continua a contar com o apoio dos amigos, até porque a sua principal dificuldade está nos espectros dos azuis. “Azul, roxo, lilás… para mim é tudo igual.” Optou, como muitas das pessoas com o seu problema, por escolher tendencialmente cores neutras e nunca fugir muito da mesma paleta de cores no vestuário. “Não gosto de andar colorido e, em caso de dúvida, pergunto. É melhor perguntar do que fazer asneira, certo?” Quanto ao futuro, para já não desiste do sonho de trabalhar na área da fotografia, mesmo com as maiores dificuldades que tem no balanceamento de brancos, o que faz com que algumas das suas imagens fiquem azuladas. “Os colegas e a tecnologia estão cá para nos ajudar a corrigir estas coisas”, insiste, sempre com um sentido muito pragmático.
As mulheres daltónicas são poucas e talvez por isso Helena Guimarães, 49 anos, ainda hoje não fale muito sobre o assunto. “O mais cedo que me lembro de ter percebido que era daltónica foi na adolescência e isso nunca foi propriamente um tema de conversa lá em casa. Lembro-me de vestir umas calças laranjas com umas meias que julgava combinar e que afinal eram amarelas e, por isso, passei a usar tons muito neutros. Evito acessórios como brincos, colares ou lenços. O meu marido oferece-me coisas para eu variar mas sinto-me muito pouco confortável a arriscar.”
Helena é directora de marketing numa empresa e as apresentações feitas em computador e os gráficos são os seus maiores inimigos, pelo que se habituou a delegar este tipo de tarefas, mesmo não gostando, algumas vezes, das cores que os seus colaboradores escolhem. Habituou-se a não discutir cores, mas admite que por vezes não gosta do que vê numa folha ou da conjugação de roupa que alguém escolhe e não sabe se os seus olhos têm razão ou se são os genes trocados a funcionar.
“Não vejo o daltonismo como um problema e nunca senti que fosse uma grande limitação. É como ser canhota. Mas claro que gostava de ver as cores todas. Nunca percebi o fascínio das pessoas com o arco-íris e só há pouco tempo descobri que só consigo distinguir duas cores. Aí fiquei triste, por perder algo que dizem ser tão bonito. Mas, ao menos, o mar para mim é sempre azul, um azul muito forte.”
Contudo, Helena reconhece que é difícil explicar aos outros que não é por preguiça que não consegue dizer as cores e admite que depender de alguém para ter a certeza da roupa que põe numa mala pode ser limitador. “Talvez por isso odeie comprar coisas para mim e nunca embarque em grandes aventuras. Jogo muito pelo seguro.”
Pedro Pires é engenheiro electrotécnico e tem 42 anos, mas até aos 15 ou 16 pensou que não sabia as cores e que algo tinha falhado nesta aprendizagem de criança. “Quando fiz os testes para a tropa, confirmaram-me que sou daltónico, mas fiquei apto na mesma e até me disseram que era bom para ir para os pára-quedistas por ser sensível aos contrastes das cores.” Na faculdade, a principal dificuldade que sentiu foi nas aulas sobre resistências, onde cortar um fio baseado na cor podia ser um risco. É por este motivo que em profissões como electricista o daltonismo pode ser um impeditivo. Pedro baralha essencialmente verdes, castanhos e avermelhados, mas foi com o preto que teve a maior surpresa: numa loja tinha uns atacadores pretos na mão e insistiu se não vendiam nenhuns mais escuros.
Caminho para a cura?
Todos estes daltónicos gostariam de ver os seus cones repostos — se não houvesse riscos. Contudo, as experiências bem sucedidas no sentido da cura são todas em animais e há muito poucas a destacar. Até porque é um problema que não evolui e que além do incómodo social não provoca qualquer dor ou desconforto ao seu portador, pelo que é visto como pouco interessante. Ainda assim, em 2008 os cientistas Jeremy Nathans e King-Wai Yau foram agraciados com o Prémio Champalimaud de Visão, no valor de um milhão de euros, por terem ajudado a desvendar a forma como a visão transforma as cores numa linguagem que o cérebro consegue perceber.
Investigador da prestigiada universidade norte-americana de Johns Hopkins, Nathans dedicou-se a perceber a forma como a luz é absorvida pela retina e o seu colega Yau tentou entender como é que esta energia luminosa era convertida em electricidade para chegar ao cérebro. A principal investigação de Nathans já tem 20 anos e consistiu precisamente na identificação dos genes que codificam os três pigmentos existentes na retina e que absorvem as cores vermelho, verde e azul. Estes pigmentos correspondem aos três tipos de foto-receptores em forma de cones que existem na retina humana e que são responsáveis pela visão das cores. Ao lado dos cones existem outros foto-receptores, os bastonetes, que são em muito maior número e que ajudam a distinguir apenas níveis de luz mas não cores. Os cientistas conseguiram isolar estas moléculas e, posteriormente, os genes que as codificam, para finalmente poderem afirmar que estes genes, quando alterados, influenciam a percepção da cor.
Agora, Nathans tem tentado perceber como é que esta visão tricromática dos humanos terá evoluído a partir de organismos mais simples como os dos mamíferos inferiores. É que animais como cães, gatos e ratos têm uma visão semelhante à dos daltónicos, já que têm apenas dois sensores de cor e não três. O investigador conseguiu injectar no rato um terceiro tipo de cone e este passou a ver como um humano com uma percepção normal da cor. Para Nathans, o que é surpreendente é que isto não implicou qualquer intervenção no cérebro, o que, além de tornar o procedimento mais simples, mostra que estão no bom caminho para encontrar uma cura para o daltonismo.
Mais recentemente foi a vez de a experiência ser realizada em macacos, que partilham o mesmo tipo de visão que uma pessoa sem problemas. No final do ano passado, um grupo de investigadores da Universidade de Washington e da Universidade da Florida, ambas nos Estados Unidos, anunciou que utilizou com sucesso uma terapia genética que foi capaz de curar dois macacos daltónicos. O estudo, conduzido por Jay Neitz e agora publicado na revista Nature, demonstra que os macacos — que nasceram sem distinguir o verde e o vermelho —, depois de lhes terem sido injectados genes com o código de ADN necessário para distinguir as cores, passaram a ser capazes de identificar desenhos vermelhos que apareciam em fundos verdes. Esta terapia resultou de um intenso trabalho de dez anos em que os dois macacos, Dalton e Sam, foram ensinados e treinados para poderem dizer que cores estavam a ver a cada momento.
Enquanto o ColorAdd não é aplicado, resta a Jorge, Gonçalo, Helena e Pedro o sentido de humor e muita imaginação. Há já também algumas máquinas para cegos que quando colocadas junto a um objecto dizem a sua cor e aplicações para telemóveis com câmara fotográfica que permitem fotografar um objecto e apontar para a zona em que se está com dúvidas sobre a cor. O problema é que estas tecnologias, às vezes, também parecem ter problemas de percepção e um preto e um castanho ou um vermelho e um laranja-escuro podem ser muito parecidos.
segunda-feira, abril 26, 2010
sexta-feira, março 05, 2010
YouTube com legendas para os surdos
O YouTube está a colocar legendas automáticas em milhões de vídeos, tornando-os acessíveis aos surdos e às pessoas com pouca audição.
A Google, que comprou o YouTube em 2006, indicou que este uso de uma tecnologia de reconhecimento de voz é provavelmente a maior experiência online do género.
Até agora apenas uma pequena percentagem de vídeos continham legendagem.
O Youtube referiu ainda que a abertura do conteúdo a todos aqueles que, até agora, não conseguiam realmente aceder a ele marca o início de um processo de democratização da informação.
Inicialmente esta nova aplicação irá estar disponível apenas nos vídeos falados em Inglês, com as restantes linguagens a serem acrescentadas nos meses seguintes.
Em Novembro do ano passado, o YouTube disponibilizou legendas automáticas a uma série de parceiros, incluindo a Universidade da Califórnia, Berkeley, Yale e National Geographic.
Tecnologia de reconhecimento de voz
A tecnologia que está por detrás do reconhecimento de voz já existe há 50 anos, indicou, citado pela BBC, o engenheiro da Google Mike Cohen, explicando que, finalmente, ela se massificou.
“Há já 25 anos que trabalho com a tecnologia de reconhecimento de voz”, indicou Cohen à BBC.
“Tem havido grandes desenvolvimentos e este é o culminar de muitos anos de trabalho. Tivemos que trabalhar numa série de problemas, como as diferenças de sotaque, o barulho de fundo e as variações na linguagem, na pronunciação”, estimou.
A equipa frisou, porém, que o produto não é perfeito. Numa demonstração da tecnologia, o engenheiro de software Ken Harrenstien mostrou como a ferramenta confunde as palavras “sim card” com “salmon” [salmão].
“Esta não é a solução final, mas é um passo no caminho para uma solução real”, disse.
“É difícil fazer com que cada palavra fique exactamente correcta, mas por vezes isso não tem interesse e noutros casos é simplesmente divertido”.
Ken Harrenstien trabalhou neste projecto nos últimos cinco anos. Surdo desde os cinco anos, o lançamento desta tecnologia é para este engenheiro uma grande vitória pessoal. “Isto é incrível. É aquilo que eu sonhei durante vários anos. O facto de agora podermos ir a qualquer video online e ver as legendas é inacreditável e o facto de eu ter feito parte deste processo é óptimo”.
As reacções a esta mudança têm sido muito positivas. Alunos da California School for the Deaf (Escola Californiana para os Surdos), em Freemont, fizeram um vídeo em que explicam a grande diferença que esta nova ferramenta representa para as suas vidas. “Sentíamos que não fazíamos parte do mundo. Sentíamo-nos excluídos”, indicou Angel Harrington.
A Google, que comprou o YouTube em 2006, indicou que este uso de uma tecnologia de reconhecimento de voz é provavelmente a maior experiência online do género.
Até agora apenas uma pequena percentagem de vídeos continham legendagem.
O Youtube referiu ainda que a abertura do conteúdo a todos aqueles que, até agora, não conseguiam realmente aceder a ele marca o início de um processo de democratização da informação.
Inicialmente esta nova aplicação irá estar disponível apenas nos vídeos falados em Inglês, com as restantes linguagens a serem acrescentadas nos meses seguintes.
Em Novembro do ano passado, o YouTube disponibilizou legendas automáticas a uma série de parceiros, incluindo a Universidade da Califórnia, Berkeley, Yale e National Geographic.
Tecnologia de reconhecimento de voz
A tecnologia que está por detrás do reconhecimento de voz já existe há 50 anos, indicou, citado pela BBC, o engenheiro da Google Mike Cohen, explicando que, finalmente, ela se massificou.
“Há já 25 anos que trabalho com a tecnologia de reconhecimento de voz”, indicou Cohen à BBC.
“Tem havido grandes desenvolvimentos e este é o culminar de muitos anos de trabalho. Tivemos que trabalhar numa série de problemas, como as diferenças de sotaque, o barulho de fundo e as variações na linguagem, na pronunciação”, estimou.
A equipa frisou, porém, que o produto não é perfeito. Numa demonstração da tecnologia, o engenheiro de software Ken Harrenstien mostrou como a ferramenta confunde as palavras “sim card” com “salmon” [salmão].
“Esta não é a solução final, mas é um passo no caminho para uma solução real”, disse.
“É difícil fazer com que cada palavra fique exactamente correcta, mas por vezes isso não tem interesse e noutros casos é simplesmente divertido”.
Ken Harrenstien trabalhou neste projecto nos últimos cinco anos. Surdo desde os cinco anos, o lançamento desta tecnologia é para este engenheiro uma grande vitória pessoal. “Isto é incrível. É aquilo que eu sonhei durante vários anos. O facto de agora podermos ir a qualquer video online e ver as legendas é inacreditável e o facto de eu ter feito parte deste processo é óptimo”.
As reacções a esta mudança têm sido muito positivas. Alunos da California School for the Deaf (Escola Californiana para os Surdos), em Freemont, fizeram um vídeo em que explicam a grande diferença que esta nova ferramenta representa para as suas vidas. “Sentíamos que não fazíamos parte do mundo. Sentíamo-nos excluídos”, indicou Angel Harrington.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Seminário de Capacitação de Recursos Humanos
Seminário de Capacitação de Recursos Humanos
Para Atenção e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência
As pessoas com deficiência ainda não tem sido vistas e tratadas de forma igual, embora a legislação tenha avançado significativamente assegurando direitos iguais. Temos uma população, segundo dados do IBGE, de 14,5% de pessoas com algum tipo de deficiência, ainda sem o pleno acesso a bens e serviços e alvos de constante discriminação.
A APARU – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia, a AMVAP – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba e as parcerias estabelecidas realizam este Seminário entendendo que a capacitação é uma importante e fundamental ferramenta para que os direitos assegurados no Programa Nacional de Direitos Humanos voltados para as pessoas com deficiência sejam efetivados.
Cumpre também este Seminário o artigo 8° da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência que trata da necessidade de conscientizar toda a sociedade sobre as questões que afetam a vida dessas pessoas e fomentar a aquisição de atitudes receptivas em relação aos direitos.
Realização:
APARU – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia
AMVAP – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba
Apoio:
CORDE – Coordenadoria Nacional pela Integração da Pessoa Portadora de Deficiência
SEDH – Secretaria Especial dos Direitos Humanos
Governo Federal
Parceiros:
Conselho Federal da OAB
Casa da Amizade – Uberlândia Cidade Industrial
Rotary International – Uberlândia Cidade Industrial
Advocacia Catani e Crosara
Prefeitura de Uberlândia – Secretaria Municipal de Planejamento Urbano
Seminário de Capacitação de Recursos Humanos
Para Atenção e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência
As pessoas com deficiência ainda não tem sido vistas e tratadas de forma igual, embora a legislação tenha avançado significativamente assegurando direitos iguais. Temos uma população, segundo dados do IBGE, de 14,5% de pessoas com algum tipo de deficiência, ainda sem o pleno acesso a bens e serviços e alvos de constante discriminação.
A APARU – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia, a AMVAP – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba e as parcerias estabelecidas realizam este Seminário entendendo que a capacitação é uma importante e fundamental ferramenta para que os direitos assegurados no Programa Nacional de Direitos Humanos voltados para as pessoas com deficiência sejam efetivados.
Cumpre também este Seminário o artigo 8° da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência que trata da necessidade de conscientizar toda a sociedade sobre as questões que afetam a vida dessas pessoas e fomentar a aquisição de atitudes receptivas em relação aos direitos.
Realização:
APARU – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia
AMVAP – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba
Apoio:
CORDE – Coordenadoria Nacional pela Integração da Pessoa Portadora de Deficiência
SEDH – Secretaria Especial dos Direitos Humanos
Governo Federal
Parceiros:
Conselho Federal da OAB
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Prefeitura de Uberlândia – Secretaria Municipal de Planejamento Urbano
Seminário de Capacitação de Recursos Humanos
terça-feira, outubro 20, 2009
Exposição de fotografia em relevo para invisuais
Uma exposição de fotografia dirigida a pessoas invisuais parece ser uma brincadeira de mau gosto. Mas está bem longe de o ser.
A mostra «Fotografia em Relevo», de Paulo Abrantes, foi especialmente criada para este público e pode ser visitada no edifício da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA) até ao dia 29 de Outubro.
O fotógrafo usou uma técnica que assenta em imagens a preto e branco e recorre a um papel especial que adquire relevo ao ser impresso. O preto corresponde às zonas com maior relevo e o branco à ausência deste, com os cinzentos a adquirir alturas diferentes, conforme a sua intensidade. A legenda da fotografia também está inscrita em Braille.
A iniciativa foi lançada no Dia Mundial da Visão, que se celebra a 8 de Outubro. Numa sessão muito participada, já que foram muitos os alunos da Universidade do Algarve presentes, Paulo Abrantes, que já há cerca de seis anos se dedica a projectos nesta área, foi muito crítico no seu discurso.
Segundo o fotógrafo, quando revelou a sua ideia ao mundo, apenas foi incentivado a avançar pela Acapo- Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal. «Se não fosse a Acapo, nada disto existia», garantiu.
Paulo Abrantes, ainda que sem lançar nomes, disse que, quando deu a conhecer a ideia, não viu «grande entusiasmo das pessoas ligadas à fotografia, arte e cultura», nem «por parte das entidades».
Mais tarde, acabou por encontrar um entusiasta no comissário de Coimbra Capital da Cultura 2003, que lhe abriu as portas do evento. Esteve também na Faro Capital da Cultura, em 2005, com a sua mostra «Luz Táctil».
O facto de, por ocasião da inauguração desta exposição, estarem juntos na mesma sala os responsáveis pelo Governo Civil, pelas direcções regionais de Educação e de Cultura e pela Administração Regional de Saúde do Algarve (ARSA), esta última a organizadora do evento, significa, para Paulo Abrantes, «que algo já mudou no Algarve».
O artista vê as exposições que promove nesta área, que já o levaram a Espanha e ao Brasil, como «uma oportunidade de juntar as pessoas e aproximar a sociedade em geral dos que vivem directamente os problemas da visão e da cegueira».
Ricardo Martins, dirigente da Acapo a nível regional, também partilha desta visão. Até porque considera que a associação que representa, «além do dever de reabilitação e integração profissional e social» que tem para com os seus associados, também tem interesse «em estar junto da sociedade em geral».
«É neste tipo de iniciativa que a palavra inclusão está escrita com todas as letras e das quais nos sentimos orgulhosos», revelou.
«Eu já vi, em tempos, pelo que tenho noção da imagem. Mas para os que nunca viram, esta é uma experiência que certamente lhes ficará marcada na memória. Será uma oportunidade única para muitos deles», considerou Ricardo Martins.
O presidente da ARSA Rui Lourenço frisou ainda que o entendimento da entidade que dirige, em termos de saúde, «é mais lato do que a maioria das pessoas pensa».
«A saúde é também um recurso para o desenvolvimento pessoal e bem-estar da comunidade», considerou.
16 de Outubro de 2009 14:58
hugo rodrigues
Fonte: http://barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=36903&tnid=5
segunda-feira, setembro 07, 2009
Cidade de Socorro quer ser centro de acessibilidade
Já foi o tempo em que saltar de tirolesa, percorrer um curso d'água cheio de corredeiras, descer de rapel ou fazer trilha no meio do mato eram esportes apenas para aventureiros com plenas condições físicas, motoras e sensoriais.
Viajantes com deficiência ou com mobilidade reduzida também têm a oportunidade de fazer esse tipo de turismo de aventura, com atividades cheias de adrenalina. A cidade de Socorro (134 km de São Paulo) oferece pelo menos duas opções de lazer para que todos experimentem o contato com a natureza e com a prática de esportes radicais. Os hotéis Parque dos Sonhos e Campo dos Sonhos são alternativas para um turismo de aventura acessível, com infraestrutura especial e pessoal com prática e treinamento para atender cegos, surdos, cadeirantes, "muletantes" e demais deficientes. As instalações dos dois empreendimentos são rústicas, com pedras soltas, ladeiras, terreno irregular e gramados. Porém, para cadeirantes, é oferecida uma espécie de cadeira motorizada "off-road", com pneus especiais e potência para vencer os obstáculos. As dimensões do "veículo" não diferem das dos tradicionais e, desta forma, é possível ao deficiente usar o equipamento dentro dos apartamentos, saunas, restaurante e banheiros sem transtornos. Todo o circuito das tirolesas do Parque dos Sonhos, que conta com três descidas - de 1 km (e 140 m de altura), 400 m e 200 m -, pode ser realizado por pessoas com deficiência, mesmo as com dificuldades motoras mais severas. A prática do boia-cross dentro do hotel exige um pouco de equilíbrio no tronco e razoável força nos braços para conduzir a "embarcação" ao longo do curso d'água com algumas quedas ao longo do caminho. Nessa modalidade, os instrutores acompanham de perto o deficiente, mas a atividade não possui adaptação nem equipamento especiais. "Para alguns tetraplégicos ou pessoas com muita restrição de movimento, nós fazemos o percurso em canoas e caiaques", diz o instrutor Juan José Bento de Souza. Nas instalações do hotel, é possível também fazer rapel adaptado, passeio por trilhas em uma cadeira especial e nadar na piscina aquecida. Porém, em qualquer uma das atividades o deficiente terá de confiar na força física dos monitores, que, em alguns momentos, terão de acomodar o deficiente nos equipamentos. "As pessoas com deficiência que fazem esportes radicais costumam nos falar que ganham um salto em sua autoestima, o que é muito bom pra nós também", conta o instrutor Marcelo Rodrigues Leite.
Constança Carvalho
Diretora
C&M Congresses and Meetings
Rua Marques, 3 /101- Humaitá
22260-240 Rio de Janeiro
telefax(21) 2539-1214
www.cmeventos.com.br
Viajantes com deficiência ou com mobilidade reduzida também têm a oportunidade de fazer esse tipo de turismo de aventura, com atividades cheias de adrenalina. A cidade de Socorro (134 km de São Paulo) oferece pelo menos duas opções de lazer para que todos experimentem o contato com a natureza e com a prática de esportes radicais. Os hotéis Parque dos Sonhos e Campo dos Sonhos são alternativas para um turismo de aventura acessível, com infraestrutura especial e pessoal com prática e treinamento para atender cegos, surdos, cadeirantes, "muletantes" e demais deficientes. As instalações dos dois empreendimentos são rústicas, com pedras soltas, ladeiras, terreno irregular e gramados. Porém, para cadeirantes, é oferecida uma espécie de cadeira motorizada "off-road", com pneus especiais e potência para vencer os obstáculos. As dimensões do "veículo" não diferem das dos tradicionais e, desta forma, é possível ao deficiente usar o equipamento dentro dos apartamentos, saunas, restaurante e banheiros sem transtornos. Todo o circuito das tirolesas do Parque dos Sonhos, que conta com três descidas - de 1 km (e 140 m de altura), 400 m e 200 m -, pode ser realizado por pessoas com deficiência, mesmo as com dificuldades motoras mais severas. A prática do boia-cross dentro do hotel exige um pouco de equilíbrio no tronco e razoável força nos braços para conduzir a "embarcação" ao longo do curso d'água com algumas quedas ao longo do caminho. Nessa modalidade, os instrutores acompanham de perto o deficiente, mas a atividade não possui adaptação nem equipamento especiais. "Para alguns tetraplégicos ou pessoas com muita restrição de movimento, nós fazemos o percurso em canoas e caiaques", diz o instrutor Juan José Bento de Souza. Nas instalações do hotel, é possível também fazer rapel adaptado, passeio por trilhas em uma cadeira especial e nadar na piscina aquecida. Porém, em qualquer uma das atividades o deficiente terá de confiar na força física dos monitores, que, em alguns momentos, terão de acomodar o deficiente nos equipamentos. "As pessoas com deficiência que fazem esportes radicais costumam nos falar que ganham um salto em sua autoestima, o que é muito bom pra nós também", conta o instrutor Marcelo Rodrigues Leite.
Constança Carvalho
Diretora
C&M Congresses and Meetings
Rua Marques, 3 /101- Humaitá
22260-240 Rio de Janeiro
telefax(21) 2539-1214
www.cmeventos.com.br
quarta-feira, agosto 19, 2009
Cursos de Informática
Curso de Informática Básica para Pessoas com Deficiência Visual
Objetivo:
Propiciar ao deficiente visual o desenvolvimento de competências para utilizar a informática, visando a sua inclusão no mercado de trabalho.
Metodologia:
O curso desenvolvido pelo SENAI será realizado em um laboratório de informática, com aulas disponibilizadas em um ambiente virtual de aprendizagem. Nesse ambiente, o aluno terá acesso aos materiais didáticos acessíveis que possibilitarão o estudo individual: CD com todo o curso em formato de áudio, emborrachados (simula tela de um computador fisicamente), softwares acessíveis. Além disso, contará com um professor-tutor para o acompanhamento e orientações para as atividades práticas.
Conteúdo do Curso:
Reconhecimento de Teclado com DosVox
Leitor de Tela
Windows
Internet
Outlook
Word
Excel
Tópicos sobre cidadania e mundo do trabalho
Locais de Realização:
Salvador – Associação Baiana de Cegos (ABC)
Camaçari – Centro de Apoio e Escola Inclusiva (CEI)
Feira de Santana – Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP)
Alagoinhas - Fundação do Caminho / Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP)
Perfil dos alunos:
Pessoas com deficiência visual a partir de 16 anos e com o ensino médio completo ou em andamento.
Carga Horária: 160 horas
Valor: Gratuito
Turno: Manhã ou tardeDias: 2ª a 6ª, 4h por dia
Total de vagas: 100
Início: 05/10/2009
Duração: 2 meses
Inscrição:
www.senai.fieb.org.br/inclusao
Informações sobre o curso:
Falar com Laiza - laiza@cetind.fieb.org.br - (71) 3287-8011
Informações para Parcerias:
Coordenador Geral: André Costa - andrelc@fieb.org.br - (71) 3287-8143
Coordenadora Pedagogica: Maria da Graça - gbarreto@fieb.org.br - (71) 3287-8380
http://ead.fieb.org.br/inclusao/
Objetivo:
Propiciar ao deficiente visual o desenvolvimento de competências para utilizar a informática, visando a sua inclusão no mercado de trabalho.
Metodologia:
O curso desenvolvido pelo SENAI será realizado em um laboratório de informática, com aulas disponibilizadas em um ambiente virtual de aprendizagem. Nesse ambiente, o aluno terá acesso aos materiais didáticos acessíveis que possibilitarão o estudo individual: CD com todo o curso em formato de áudio, emborrachados (simula tela de um computador fisicamente), softwares acessíveis. Além disso, contará com um professor-tutor para o acompanhamento e orientações para as atividades práticas.
Conteúdo do Curso:
Reconhecimento de Teclado com DosVox
Leitor de Tela
Windows
Internet
Outlook
Word
Excel
Tópicos sobre cidadania e mundo do trabalho
Locais de Realização:
Salvador – Associação Baiana de Cegos (ABC)
Camaçari – Centro de Apoio e Escola Inclusiva (CEI)
Feira de Santana – Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP)
Alagoinhas - Fundação do Caminho / Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP)
Perfil dos alunos:
Pessoas com deficiência visual a partir de 16 anos e com o ensino médio completo ou em andamento.
Carga Horária: 160 horas
Valor: Gratuito
Turno: Manhã ou tardeDias: 2ª a 6ª, 4h por dia
Total de vagas: 100
Início: 05/10/2009
Duração: 2 meses
Inscrição:
www.senai.fieb.org.br/inclusao
Informações sobre o curso:
Falar com Laiza - laiza@cetind.fieb.org.br - (71) 3287-8011
Informações para Parcerias:
Coordenador Geral: André Costa - andrelc@fieb.org.br - (71) 3287-8143
Coordenadora Pedagogica: Maria da Graça - gbarreto@fieb.org.br - (71) 3287-8380
http://ead.fieb.org.br/inclusao/
segunda-feira, julho 20, 2009
segunda-feira, junho 29, 2009
BANIF disponibiliza primeiro site português para invisuais
O BANIF apresentou esta quarta-feira, em Lisboa, a primeira página portuguesa na Internet que permite aos invisuais aceder a todo o conteúdo do site, podendo obter conhecimento pormenorizado de todos os produtos do banco.
Entrando em www.banif.pt, os invisuais são, a partir de hoje, conduzidos pelos diversos separadores do site por uma voz que lê as informações disponíveis.
"Esta funcionalidade permite aos nossos clientes cegos terem acesso ao nosso site, através de um sistema que é muito simples: utilizando apenas três teclas, podem ter acesso através da voz a todo o conteúdo do site", afirmou à Lusa Marques dos Santos, presidente da Comissão Executiva do BANIF.
Por questões de segurança, o site não permite que o utilizador efectue qualquer tipo de operação.
Desenvolvida em colaboração com a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC), esta iniciativa insere-se no Programa de Responsabilidade Social do grupo BANIF e "contribui para a redução da infoexclusão", acrescentou Marques dos Santos.
Para Vítor Graça, assessor de direcção da APEC, esta iniciativa "é uma mais-valia para os cegos porque deixam de ter necessidade de estar dependentes de alguém" para aceder à informação.
Diário Digital / Lusa
sexta-feira, junho 05, 2009
Engenheira deficiente visual recebe prêmio máximo da IBM
Chieko Asakawa é a primeira japonesa a ser nomeada 'IBM Fellow'. Ela criou programa que lê páginas da web para deficientes visuais.
Da France Presse
Chieko Asakawa, engenheira japonesa de 50 anos de idade, recebeu o título mais alto de reconhecimento técnico da gigante da informática IBM.
Ela foi nomeada "IBM Fellow" nesta semana pelos avanços que conseguiu ao desenvolver novas tecnologias que permitissem o uso da internet por deficientes visuais. Ela está entre os oito japoneses que receberam esse título - e é a única mulher do seleto grupo.
O prêmio de reconhecimento é o de mais alto prestígio na empresa - apenas 218 pessoas o receberam em mais de 100 anos de história.
"A colaboração de Asakawa na área de acessibilidade tecnológica foi fundamental para que a IBM se tornasse líder mundial no setor", disse a empresa norte-americana em comunicado.
Da France Presse
Chieko Asakawa, engenheira japonesa de 50 anos de idade, recebeu o título mais alto de reconhecimento técnico da gigante da informática IBM.
Ela foi nomeada "IBM Fellow" nesta semana pelos avanços que conseguiu ao desenvolver novas tecnologias que permitissem o uso da internet por deficientes visuais. Ela está entre os oito japoneses que receberam esse título - e é a única mulher do seleto grupo.
O prêmio de reconhecimento é o de mais alto prestígio na empresa - apenas 218 pessoas o receberam em mais de 100 anos de história.
"A colaboração de Asakawa na área de acessibilidade tecnológica foi fundamental para que a IBM se tornasse líder mundial no setor", disse a empresa norte-americana em comunicado.
sexta-feira, maio 15, 2009
sábado, maio 02, 2009
PT reforça oferta para cidadãos com necessidades especiais
A Portugal Telecom, através da sua Fundação, estabeleceu uma parceria com a Qualcomm com vista a alargar a oferta de tecnologia e serviços móveis destinados a cidadãos com necessidades especiais.
Mediante a parceria, feita no âmbito da iniciativa Wireless Reach da fornecedora internacional de soluções móveis digitais, o Projecto Estrela e o Projecto Girassol, dois dos projectos de combate à infoexclusão da Fundação Portugal Telecom, conheceram novos desenvolvimentos.
Os 16 Centros de Recursos para a Inclusão Digital associados ao Projecto Estrela ganharam smartphones 3G, dotados da solução TMN GRID Mobile, um software facilitador da comunicação aumentativa, com quadros de comunicação, sintetizador de voz e orientado para o envio de SMS.
Além do TMN GRID Mobile, o Tobii, uma espécie de PC integrado num laptop de dimensão reduzida, o SICAM - Sistema Integrado para Comunicação Aumentativa e o Magic Eye, para a gestão de aparelhos domésticos através de infra-vermelhos, perfazem o restante conjunto de novidades PT introduzidas com a parceria agora anunciada.
O acordo com a Qualcomm vem beneficiar igualmente o Projecto Girassol, que tem por objectivo disponibilizar smartphones e outros equipamentos móveis a pessoas com deficiência profunda sem recursos para adquirir estes terminais pelo valor subsidiado.
Mediante a parceria, feita no âmbito da iniciativa Wireless Reach da fornecedora internacional de soluções móveis digitais, o Projecto Estrela e o Projecto Girassol, dois dos projectos de combate à infoexclusão da Fundação Portugal Telecom, conheceram novos desenvolvimentos.
Os 16 Centros de Recursos para a Inclusão Digital associados ao Projecto Estrela ganharam smartphones 3G, dotados da solução TMN GRID Mobile, um software facilitador da comunicação aumentativa, com quadros de comunicação, sintetizador de voz e orientado para o envio de SMS.
Além do TMN GRID Mobile, o Tobii, uma espécie de PC integrado num laptop de dimensão reduzida, o SICAM - Sistema Integrado para Comunicação Aumentativa e o Magic Eye, para a gestão de aparelhos domésticos através de infra-vermelhos, perfazem o restante conjunto de novidades PT introduzidas com a parceria agora anunciada.
O acordo com a Qualcomm vem beneficiar igualmente o Projecto Girassol, que tem por objectivo disponibilizar smartphones e outros equipamentos móveis a pessoas com deficiência profunda sem recursos para adquirir estes terminais pelo valor subsidiado.
Fonte: TEK
Primeiro café do país com ementa em Braille
Uma ementa totalmente escrita em Braille foi apresentada num estabelecimento de restauração de Braga, tornando-o o primeiro do país a fazê-lo.
Para assinalar a data foi descerrada uma placa onde o nome "CafféNoir" aparece também escrito na linguagem dos invisuais. Uma iniciativa que a ACAPO espera ver replicada no resto do país.
Eduardo Gonçalves, o proprietário conta que a ideia começou a ganhar forma em conversas que ia tendo com um cliente invisual: "nós vemos ainda muito em contra-luz, olhamos muito para a nossa sombra e espero que este seja um contributo para mudar a pequena mentalidade que ainda reina no país". Para a responsável pela ACAPO de Braga, Cristina Ferreira, "já existem edifícios e locais adaptados para receber pessoas invisuais mas este é o primeiro estabelecimento do país a ter uma ementa inteiramente em Braille" e vai mais longe: "mesmo aqui na vizinha Espanha não tenho memória que exista alguma coisa parecida".
Situado em perto da Sé de Braga, numa zona nobre da cidade, o café conhecido também pela oferta em termos de chá colocou uma placa identificativa, de fácil acesso aos invisuais e com o nome gravado em relevo para ser facilmente reconhecido pelos invisuais: "é mais um passo que se dá para transformar e desenvolver uma cidade ainda muito presa a 200 anos de história", reconhece o proprietário.
Fonte: Jornal de Notícias.
Para assinalar a data foi descerrada uma placa onde o nome "CafféNoir" aparece também escrito na linguagem dos invisuais. Uma iniciativa que a ACAPO espera ver replicada no resto do país.
Eduardo Gonçalves, o proprietário conta que a ideia começou a ganhar forma em conversas que ia tendo com um cliente invisual: "nós vemos ainda muito em contra-luz, olhamos muito para a nossa sombra e espero que este seja um contributo para mudar a pequena mentalidade que ainda reina no país". Para a responsável pela ACAPO de Braga, Cristina Ferreira, "já existem edifícios e locais adaptados para receber pessoas invisuais mas este é o primeiro estabelecimento do país a ter uma ementa inteiramente em Braille" e vai mais longe: "mesmo aqui na vizinha Espanha não tenho memória que exista alguma coisa parecida".
Situado em perto da Sé de Braga, numa zona nobre da cidade, o café conhecido também pela oferta em termos de chá colocou uma placa identificativa, de fácil acesso aos invisuais e com o nome gravado em relevo para ser facilmente reconhecido pelos invisuais: "é mais um passo que se dá para transformar e desenvolver uma cidade ainda muito presa a 200 anos de história", reconhece o proprietário.
Fonte: Jornal de Notícias.
Ópera terá audiodescrição para deficientes visuais no Teatro Amazonas
MANAUS - A XIII edição do Festival Amazonas de Ópera realizado no Teatro Amazonas oferecerá aos portadores de necessidades visuais o serviço de audiodescrição. A estréia, segundo o secretário estadual de cultura, Robério Braga, será durante a segunda apresentação da ópera `Sansão e Dalila', que acontecerá amanhã (28). Ao todo, 50 fones serão disponibilizados para deficientes visuais.
"É como se há muito tempo eu estivesse de olhos fechados para o mundo e de repente começasse a enxergar o que nunca tinha visto". A impressão é de um deficiente visual, maravilhado com a apresentação da ópera `Sansão e Dalila'. Gilson Moura, que não enxerga há 29 anos, participou do teste do novo serviço que será oferecido pelo Teatro.
Audiodescrição
A audiodescrição é a técnica de transformar a imagem em palavras. Funciona como um sistema de tradução: o ouvinte recebe as informações via fone de ouvido de um audiodescritor, que fica em uma cabine assistindo ao espetáculo e repassando informações que vão desde o cenário até o figurino e entrada e saída de cena de personagens.
Para isso, 18 pessoas entre funcionários da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), Teatro Amazonas e Biblioteca Braille, estão sendo treinadas pela operadora de telefonia Vivo, patrocinadora do projeto. Para cada apresentação, elas estudam antecipadamente informações técnicas sobre a obra e acompanham os ensaios. "É uma ação pioneira no Amazonas e a técnica é muito recente no Brasil", explicou a professora do curso, Lívia Maria Motta, que veio de São Paulo para ministrar a aula presencial.
Ensaio da ópera `Sansão e Dalila'
São 42h de curso à distância, por meio de videoconferência e em ambiente virtual de aprendizagem, além das aulas presenciais. Tudo para garantir o que ela define como 'ser os olhos do outro'.
"Para quem está repassando as informações também é um ganho por que amplia a sua visão de mundo. Ele passa a prestar atenção em detalhes que antes passavam despercebidos", afirmou Lívia.
Para qualquer outro espectador, a ópera é compreendida via telão, onde se lêem as legendas traduzidas. Para um deficiente visual essa e as demais manifestações de artes visuais, ficavam obrigatoriamente de fora de seu reperouvido poderão ter acesso à tecnologia de qualquer ponto do Teatro. "Eles poderão escolher livremente o assento que quiserem". Não será acrescido nenhum valor ao ingresso por conta da novidade.
A idéia é ampliar a tecnologia para museus, exposições de artes visuais, cinemas e peças de teatro. "O Teatro Vivo em São Paulo adotou o sistema em 2007 e foi o primeiro no País e dar acessibilidade a todos".
Segundo a professora, o sistema serve também para pessoas que têm o sistema cognitivo comprometido, como portadores de dislexia ou outro tipo de deficiência intelectual.
Este é o segundo convênio que a Biblioteca Braille do Amazonas realiza com a Vivo. Em fevereiro deste ano, dez apostilas do Ensino Médio e oito do Ensino Fundamental foram lançadas em versão áudio para os alunos.
A ópera `Sansão e Dalila' será apresentada pela última vez no XIII Festival Amazonas de Ópera (FAO) amanhã, a partir das 20h.
Fonte: Diário do Amazonas - AL
"É como se há muito tempo eu estivesse de olhos fechados para o mundo e de repente começasse a enxergar o que nunca tinha visto". A impressão é de um deficiente visual, maravilhado com a apresentação da ópera `Sansão e Dalila'. Gilson Moura, que não enxerga há 29 anos, participou do teste do novo serviço que será oferecido pelo Teatro.
Audiodescrição
A audiodescrição é a técnica de transformar a imagem em palavras. Funciona como um sistema de tradução: o ouvinte recebe as informações via fone de ouvido de um audiodescritor, que fica em uma cabine assistindo ao espetáculo e repassando informações que vão desde o cenário até o figurino e entrada e saída de cena de personagens.
Para isso, 18 pessoas entre funcionários da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), Teatro Amazonas e Biblioteca Braille, estão sendo treinadas pela operadora de telefonia Vivo, patrocinadora do projeto. Para cada apresentação, elas estudam antecipadamente informações técnicas sobre a obra e acompanham os ensaios. "É uma ação pioneira no Amazonas e a técnica é muito recente no Brasil", explicou a professora do curso, Lívia Maria Motta, que veio de São Paulo para ministrar a aula presencial.
Ensaio da ópera `Sansão e Dalila'
São 42h de curso à distância, por meio de videoconferência e em ambiente virtual de aprendizagem, além das aulas presenciais. Tudo para garantir o que ela define como 'ser os olhos do outro'.
"Para quem está repassando as informações também é um ganho por que amplia a sua visão de mundo. Ele passa a prestar atenção em detalhes que antes passavam despercebidos", afirmou Lívia.
Para qualquer outro espectador, a ópera é compreendida via telão, onde se lêem as legendas traduzidas. Para um deficiente visual essa e as demais manifestações de artes visuais, ficavam obrigatoriamente de fora de seu reperouvido poderão ter acesso à tecnologia de qualquer ponto do Teatro. "Eles poderão escolher livremente o assento que quiserem". Não será acrescido nenhum valor ao ingresso por conta da novidade.
A idéia é ampliar a tecnologia para museus, exposições de artes visuais, cinemas e peças de teatro. "O Teatro Vivo em São Paulo adotou o sistema em 2007 e foi o primeiro no País e dar acessibilidade a todos".
Segundo a professora, o sistema serve também para pessoas que têm o sistema cognitivo comprometido, como portadores de dislexia ou outro tipo de deficiência intelectual.
Este é o segundo convênio que a Biblioteca Braille do Amazonas realiza com a Vivo. Em fevereiro deste ano, dez apostilas do Ensino Médio e oito do Ensino Fundamental foram lançadas em versão áudio para os alunos.
A ópera `Sansão e Dalila' será apresentada pela última vez no XIII Festival Amazonas de Ópera (FAO) amanhã, a partir das 20h.
Fonte: Diário do Amazonas - AL
CERTIC de Vila Real acusa ME de esvaziar protocolo
O Centro de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade (CERTIC), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, acusou hoje o Ministério da Educação de «ter esvaziado» o protocolo estabelecido há oito anos no âmbito das necessidades educativas especiais das escolas do distrito.
O coordenador do CERTIC, Francisco Godinho, disse à Lusa que o ministério criou uma rede de 25 Centros de Recursos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para a Educação Especial (CRTIC), que - sustenta - «excluiu o CERTIC do papel que vinha desempenhando desde 2000».
As zonas de intervenção dos CRTIC, definidas centralmente pelo Ministério da Educação (ME), repartem o atendimento dos concelhos do distrito de Vila Real pelos Centros de Chaves (distrito de Vila Real), Mirandela (distrito de Bragança), Cinfães (distrito de Viseu) e Guimarães (distrito de Braga).
Com esta distribuição, os utentes são obrigados, segundo Francisco Godinho, a deslocar-se, o que considerou «não fazer sentido» devido à experiência que existe em Vila Real.
Por isso, disse, o CERTIC está disponível para apoiar a criação de um Centro de Recursos de Tecnologias de Informação e Comunicação para a Educação Especial na Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral, em Vila Real.
Segundo o responsável, a UTAD forneceria equipamentos (sob a forma de doação e empréstimo) e estabeleceria uma parceria de colaboração.
Esta proposta já foi acolhida favoravelmente pelo presidente da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), pela Câmara de Vila Real e pela presidente do executivo da Escola EB 2,3 Monsenhor Jerónimo do Amaral.
A condição para o apoio da UTAD à criação deste Centro em Vila Real estará condicionada à integração do mesmo na rede de CRTIC com igualdade de competências e a atribuição de uma zona de intervenção apropriada.
Contactada pela Agência Lusa, a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), rejeitou a «atribuição de incumprimentos protocolares» e disse «estranhar» que o coordenador do CERTIC apresente hoje a proposta de criação de um CRTIC na Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral.
Isto porque, sustenta, em 2007 invocou «a duplicação de serviços na mesma cidade aquando da proposta de criação de um CRTIC naquela escola, não tendo manifestado a vontade de patrocinar a criação de um centro, tendo conhecimento da rede dos centros de recursos».
A DREN referiu ainda que a UTAD assinou a actualização do protocolo de cooperação em 2007, comprometendo-se a colaborar outros centros de recursos TIC para a educação especial.
Francisco Godinho considerou, no entanto, que a DREN «omite o problema», considerando que o serviço prestado pelo CERTIC é semelhante aos dos CRTIC, pelo que «não faz sentido que sejam atribuídos a centros exteriores» ao distrito de Vila Real mais de metade dos concelhos de Vila Real.
Por exemplo, afirmou que o concelho de Vila Real foi atribuído ao CRTIC de Mirandela (distrito de Bragança), o de Peso da Régua ao de Cinfães (distrito de Viseu) e o de Mondim de Bastos ao de Guimarães (distrito de Braga).
«Esta situação obriga as crianças e jovens com deficiência, os seus familiares e os docentes desta zona a deslocarem-se para fora do distrito sem necessidade», concluiu.
Fonte: Diário Digital / Lusa
O coordenador do CERTIC, Francisco Godinho, disse à Lusa que o ministério criou uma rede de 25 Centros de Recursos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para a Educação Especial (CRTIC), que - sustenta - «excluiu o CERTIC do papel que vinha desempenhando desde 2000».
As zonas de intervenção dos CRTIC, definidas centralmente pelo Ministério da Educação (ME), repartem o atendimento dos concelhos do distrito de Vila Real pelos Centros de Chaves (distrito de Vila Real), Mirandela (distrito de Bragança), Cinfães (distrito de Viseu) e Guimarães (distrito de Braga).
Com esta distribuição, os utentes são obrigados, segundo Francisco Godinho, a deslocar-se, o que considerou «não fazer sentido» devido à experiência que existe em Vila Real.
Por isso, disse, o CERTIC está disponível para apoiar a criação de um Centro de Recursos de Tecnologias de Informação e Comunicação para a Educação Especial na Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral, em Vila Real.
Segundo o responsável, a UTAD forneceria equipamentos (sob a forma de doação e empréstimo) e estabeleceria uma parceria de colaboração.
Esta proposta já foi acolhida favoravelmente pelo presidente da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), pela Câmara de Vila Real e pela presidente do executivo da Escola EB 2,3 Monsenhor Jerónimo do Amaral.
A condição para o apoio da UTAD à criação deste Centro em Vila Real estará condicionada à integração do mesmo na rede de CRTIC com igualdade de competências e a atribuição de uma zona de intervenção apropriada.
Contactada pela Agência Lusa, a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), rejeitou a «atribuição de incumprimentos protocolares» e disse «estranhar» que o coordenador do CERTIC apresente hoje a proposta de criação de um CRTIC na Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral.
Isto porque, sustenta, em 2007 invocou «a duplicação de serviços na mesma cidade aquando da proposta de criação de um CRTIC naquela escola, não tendo manifestado a vontade de patrocinar a criação de um centro, tendo conhecimento da rede dos centros de recursos».
A DREN referiu ainda que a UTAD assinou a actualização do protocolo de cooperação em 2007, comprometendo-se a colaborar outros centros de recursos TIC para a educação especial.
Francisco Godinho considerou, no entanto, que a DREN «omite o problema», considerando que o serviço prestado pelo CERTIC é semelhante aos dos CRTIC, pelo que «não faz sentido que sejam atribuídos a centros exteriores» ao distrito de Vila Real mais de metade dos concelhos de Vila Real.
Por exemplo, afirmou que o concelho de Vila Real foi atribuído ao CRTIC de Mirandela (distrito de Bragança), o de Peso da Régua ao de Cinfães (distrito de Viseu) e o de Mondim de Bastos ao de Guimarães (distrito de Braga).
«Esta situação obriga as crianças e jovens com deficiência, os seus familiares e os docentes desta zona a deslocarem-se para fora do distrito sem necessidade», concluiu.
Fonte: Diário Digital / Lusa
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